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Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

19.Mar.07

O AMBIENTE FÍSICO E A SAÚDE

 

Temos vindo a falar dos vários tipos de condicionantes da saúde. Hoje foco-me na influência que o ambiente físico exerce sobre a saúde, através dos seus vários componentes: clima, água, solo, ruído, resíduos, produtos químicos, alimentação, saneamento básico e radiações.

Mas afinal, até que ponto vai a influência dos factores ambientais na saúde? Dados estatísticos indicam que 20% das doenças se devem a factores ambientais e diariamente morrem cerca de 13 mil crianças devido aos mesmos factores.

Entre os factores físicos que condicionam o estado de saúde de um indivíduo, a poluição atmosférica toma um lugar de relevo, sendo que todos os dias se prevê que sofram de problemas respiratórios devido à poluição 20 milhões de europeus. Um estudo recente constatou que as crianças que vivem desde os dez anos a menos de 1500 metros de uma auto-estrada sofrem uma substancial diminuição da função pulmonar quando atingem os dezoito. Entre os agentes poluentes que interferem na nossa saúde encontram-se: o dióxido de carbono, o monóxido de carbono, metano, óxido de azoto, etc. Estes gases poluentes vão ser responsáveis pelo efeito estufa que por sua vez intensifica a influência negativa de outro factor físico sobre a saúde: o clima, já que provoca alterações climáticas extremas, como as vagas de frio e de calor que temos registado e que provocam mortes. Por exemplo, o aumento da poluição atmosférica na Ásia está a tornar mais violentas as tempestades no Norte  do pacifico durante o Inverno. Os gases poluentes provocam também a diminuição da camada de ozono e consequentemente uma maior incidência de radiações sobre nós. A longo prazo, as radiações têm um efeito negativo sobre a saúde já que aumenta a incidência de cancro, cataratas, alterações imunológicas e efeitos mutagénicos, teratogénicos e morte.

As chuvas ácidas aumentam a incidência do cancro do pulmão, podem provocar queimaduras graves e a deslocação de mercúrio e de cádmio do solo para a cadeia alimentar.

 

 

 

O mercúrio exerce diferentes efeitos sobre a saúde consoante o tipo de exposição que se verifica, uma exposição aguda pode causar dificuldades respiratórias, edema agudo do pulmão e necroses dos canalículos renais; enquanto que uma exposição crónica poderia perturbar a memória, provocar taquicardia e a diminuição da acuidade visual e auditiva. No entanto, se ocorrer uma exposição pré natal provoca atraso mental e baixo QI. Além disso o chumbo e as dioxinas também exercem efeitos negativos na saúde. Por incrível que pareça, no interior dos edifícios estamos sujeitos a agentes poluentes, como inadequados sistemas de ventilação, ar condicionado, limpeza, fumo… que podem aumentar a incidência de asma, cancro, insónias…

Outra manifestação do ambiente físico que nos envolve é a poluição sonora que condiciona negativamente a saúde, aumentando as perturbações do sono, doenças cardiovasculares, respiratórias e a depressão.

 

Problemas de saúde como diarreias, febre tifóide e doenças respiratórias e dermatológicas podem ter como origem a poluição da água, mas os solos similarmente são a origem de diversos tipos de infecções, devido a pesticidas, construções, depósitos de resíduos (orgânicos; tóxicos; industriais; hospitalares – perigosos ou não).

Perante toda esta diversidade de agentes físicos a influenciarem negativamente a saúde individual torna-se indispensável uma vigilância deste mesmo ambiente, com base em diferentes tipos de estudos de impacto ambiental, vigilância epidemiológica, medição da qualidade do ar, alertas para radioactividade e qualidade da água, tal como uma intervenção directa sobre o ambiente. Neste sentido, é importante a preocupação dos governantes no cumprimento do protocolo de Quioto, no estabelecimento de organizações e departamentos, mas também o próprio individuo e o médico podem reduzir os efeitos do ambiente.

 

 

 

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